Fospar S.A./Cargill S.A.
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As formações de manguezais situadas nas proximidades do Porto de
Paranaguá tem sofrido intensa degradação pelo uso antrópico, seja
devido à sua conversão para local de moradia, devido ao extrativismo
indiscriminado de seus recursos (madeira e lenha, principalmente), ou
seu uso para descarte de diversos tipos de resíduos, tais como
esgotos sanitários, efluentes industriais e lixo doméstico.
Além
desta situação, havia uma porção degradada devido a um
assoreamento. Esta área foi selecionada para a implantação de um experimento de
recuperação, iniciado no primeiro semestre de 2000.
Para
o trabalho de recuperação utilizou-se como base a realização de
uma avaliação do contexto atual dessas porções do mangue e seu
entorno, verificando-se aspectos relacionados às características do
sedimento, cobertura vegetal e degradação ambiental.
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Ocupação do Canal do
Anhaiá,
Paranaguá/PR
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EXPERIMENTO
DE RECUPERAÇÃO
Materiais
e Métodos
O
experimento foi implantado em área onde o manguezal outrora existente
havia morrido integralmente devido ao assoreamento. Nesta área de
cerca de 500 m2, foram implantadas 3 parcelas, cada uma com 150 m2:
-
Parcela A: neste local promoveu-se a remoção do material oriundo do
assoreamento, que chegava a representar
uma camada de até 20 cm de espessura sobre o
sedimento original;
-
Parcela B: neste local optou-se em manter o sedimento como se
encontrava;
-
Parcela Testemunha: mantida em estado natural, visando acompanhar a
regeneração natural ao longo do tempo.
Assim
sendo, implantou-se na data de 13 de abril de 2.000, 150 mudas por
parcela com espaçamento de 1,0x1,0 m, sendo 90 mudas de Rhizophora
mangle, 48 de Avicennia schaueriana e 12 de Laguncularia
racemosa. Utilizou-se a mesma proporção e distribuição de
mudas em cada uma das parcelas, sendo a Parcela B o espelho da
Parcela A.
No
momento do plantio das mudas em cada parcela, obteve-se a altura
inicial de cada muda, a qual é reavaliada anualmente.
A
sobrevivência das mudas é avaliada permanentemente desde o início
do experimento. Inicialmente esta análise era efetuada
quinzenalmente, quando o experimento passou a apresentar maior
estabilidade, esta atividade passou a ser mensal.
Visando repor as mudas
que morreram ao longo do tempo, por questões naturais ou ações
antrópicas (vandalismo), foram realizados diversos replantios ao
longo do ano de 2001. As mudas utilizadas neste replantio eram
oriundas do viveiro implantado no local ou de transplante da
regeneração natural.
Assim
sendo, considerando-se o período do experimento referente a abril de
2000 a fevereiro de 2003, há mudas remanescentes com idades variadas:
33 meses, 18 meses, 16 meses, 15 meses e 13 meses.
Resultados
do Experimento
Nas
parcelas
Desde
o princípio do experimento, verificou-se um maior índice de sobrevivência
das mudas na Parcela B. Mesmo com seguidos eventos de replantios, a
mortalidade ao longo dos anos foi sempre mais expressiva na Parcela A
do que na Parcela B, onde não ocorreu a remoção de sedimento.
Também
verificou-se uma maior sobrevivência das mudas oriundas da regeneração
natural, transplantadas na área do experimento, com destaque à Avicennia
schaueriana.
Os resultados parciais
deste experimento foram apresentados em maio de 2003 na Conferência
Internacional Mangrove realizada em Salvador/BA (SESSEGOLO, G.C.
Experimento de Recuperação de Manguezal na Baía de Paranaguá/PR:
resultados obtidos. In: Mangrove 2003: articulando a pesquisa e
gestão participativa de estuários e manguezais. Salvador/BA, 2003).
Parcelas
testadas no experimento
