A difícil gestão de resíduos sólidos no Sertão da Bahia

O lixo é um problema que o ser humano cria quando ele se esquece de que também é parte do ambiente em que vive. Os moradores das cidades e das zonas rurais consomem recursos naturais, processam estes recursos para produzir energia e devolvem ao ambiente rejeitos na forma de resíduos sólidos (lixo), gases e águas servidas (esgoto).

Entende-se por lixo todo resíduo descartado pelos seres humanos ou gerado pela natureza em aglomerações urbanas ou em localidades rurais. Diz-se também que é tudo aquilo que o ser humano joga fora porque não tem mais serventia ou valor comercial, mas o conceito de utilidade é relativo: materiais que são descartados por determinadas pessoas podem ser reaproveitados por outras, passando inclusive a ter significado econômico.

Especificamente em relação aos resíduos sólidos, percorrendo o sertão baiano, verificamos a inexistência de processos de gestão adequados, em vilas, distritos e sedes dos municípios e no meio rural... Parece que todo o desenvolvimento técnico e legal que ocorreu no país ainda não conseguiu chegar até lá.

Nas sedes municipais onde há coleta, verifica-se que os lixões representam o destino final, a céu aberto, implantados em locais sem nenhum tratamento prévio ou onde inexiste qualquer controle ambiental.

Lixão do município de Canudos/BA

Lixão do município de Jeremoabo/BA

Em muitos municípios verifica-se a presença de inúmeros catadores, muitos já instalados permanentemente nos lixões. O vento carrega o lixo caatinga adentro, produzindo imagens inusitadas.


Cactus repleto de lixo


Resíduos no entorno de escola de comunidade rural no sertão da Bahia.

Há casos de depósitos de lixo generalizados em todo o entorno de diversas cidades. Chegando pelo sul ou pelo norte, à beira de qualquer rodovia, há lixo por todo lado.

E quando se passa nas pequenas vilas ou distritos, no entorno das escolas e pátios, destaca-se a grande quantidade de lixo na paisagem.

Infelizmente grande parte dos resíduos tem sido lançada em lixões ou jogada em cursos de água. Devido à disposição inadequada, o mau cheiro característico da decomposição deve-se à produção de gases e à formação do chorume que, ao se infiltrar, polui o solo e a água subterrânea. Além disso, esse descarte inadequado acarreta sérios transtornos à saúde pública, atraindo animais, como insetos e roedores, que podem transmitir doenças graves.

Verifica-se o quanto há de demanda por uma gestão adequada dos resíduos nas
comunidades, nas escolas e nos municípios.

Uma gestão que esclareça a importância da disposição adequada, considerando-se aspectos de saúde, higiene e sócio-ambientais relacionados.

(Gisele Sessegolo, bióloga e diretora da Ecossistema Consultoria Ambiental)

Fotos: Gisele C. Sessegolo
Fonte: Prefeitura Municipal de Florianópolis. Considerando mais o lixo. Florianópolis, 1999.