Como garantir a conservação de sítios de especial interesse?

Nos últimos anos, a Ecossistema Consultoria Ambiental participou de alguns projetos de onde resultaram prioridades de conservação para áreas de especial interesse, por conterem sítios arqueológicos únicos, cavernas de potencial turístico, espécies raras ou ameaçadas de conservação, entre outros aspectos.

Ao longo dos estudos realizados sempre se buscou identificar as demandas das comunidades locais, envolvendo os diversos atores da sociedade: públicos, privados, lideranças comunitárias e os demais interessados nos processos de discussão.

Apesar de todo o processo exaustivo que, muitas vezes, se estende ao longo de dois a três anos, surpreende o descaso de alguns agentes em relação aos sítios estudados.

Como exemplo pode-se citar o caso da Gruta do Batismo, situada no entorno da Vila de Balbina-AM. Trata-se da única caverna contendo pinturas rupestres nesse estado, a qual tem atraído turistas nacionais e estrangeiros.

Desde 2003 estuda-se seu ambiente interno e externo e realizam-se reuniões sobre as formas de se garantir a proteção adequada a esse sítio. Apesar disso tudo, nessa última semana, quando da realização de uma visita técnica ao local com diversas instituições, se deparou com uma situação inusitada: a estrada de acesso ao sítio virou um lixão a céu aberto, inclusive com diversos resíduos que foram depositados justamente na entrada da trilha de acesso ao atrativo.

Essa situação surpreende mais ainda, ao se considerar o fato de que, um pouco acima da gruta, há uma pequena bica utilizada para lazer pela comunidade local. Mesmo assim, agentes da própria comunidade optaram por degradar intensamente essa área, apesar de existir um outro local definido para a deposição dos resíduos sólidos oriundos da vila.

Como se pode evitar que todo investimento técnico, político e financeiro não seja prejudicado pela ignorância, pela falta de visão e pelo desinteresse da sociedade em geral? Como o Estado poderá garantir o direito de todo o cidadão a um meio ambiente equilibrado se esse próprio cidadão é o primeiro a degradá-lo?

Precisamos que os agentes públicos tenham uma postura mais pró-ativa em relação às propostas técnicas apresentadas, sob o risco de quando serem tomadas as atitudes, a qualidade do recurso esteja seriamente comprometida ou a demanda de recursos e ações de recuperação tenham sido ampliadas.

Como poderemos desta forma garantir a conservação desses sítios de especial interesse?

(Gisele Sessegolo, bióloga e diretora da Ecossistema Consultoria Ambiental)